O presidente do Egito, Mohamed Mursi, deixou o palácio presidencial no Cairo nesta terça-feira (4), em meio às manifestações contra o decreto que expande seus poderes e contra o projeto da nova Constituição do país.
A informação foi confirmada pelo Ministério do Interior. Em comunicado, um responsável da segurança egípcia assegurou que o presidente deixou o palácio como faz habitualmente. Além disso, o Ministério do Interior informou que o número de manifestantes aumentou e que alguns deles "conseguiram erguer as cercas de proteção, mas foram contidos pelas forças de segurança".
A manifestação, convocada por líderes da oposição no Egito e intitulada a "última advertência", reuniu milhares de egípcios diante do palácio presidencial. A polícia egípcia usou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral para dispersar a multidão que usou palavras de ordem contra Mursi e suas últimas decisões.
A convocação de um referendo sobre a nova constituição, previsto para ocorrer no próximo dia 15 de dezembro, também foi alvo de protestos. "Quem vai controlar o presidente?", indagou um dos manifestantes da concentração, Amre Kamel, que, em declarações à Agência Efe, também criticou o fato da assembleia ter redigido o texto constitucional mesmo com o boicote de um quarto de seus membros.
Segundo a agência estatal "Mena", a polícia começou a enfrentar os manifestantes quando eles tentaram barreiras de arame farpado, usadas para isolar o palácio presidencial. E, de acordo com a Reuters, ao menos oito pessoas ficaram feridas no confronto, onde centenas de pessoas soltaram fogos de artifício contra os agentes de segurança.
Mais cedo, jornais e emissoras no Egito cumpriram a promessa de entrar em greve em protesto contra o decreto de Mursi. Ao menos 12 diários não circularam e cinco canais de TV prometeram ficar fora do ar na quarta-feira. Centenas de jornalistas se reuniram em frente à sede do sindicato da classe no Cairo, em ato contra o governo islamista.
O projeto da Constituição, que foi aprovado em 30 de novembro pela Assembleia Constituinte - dominada por partidários de Mursi - será votado em um referendo popular no dia 15 de dezembro. Com o decreto, o presidente islamita aumentou consideravelmente seus poderes, protegendo suas decisões e a comissão responsável por redigir a futura Constituição de qualquer recurso na Justiça.
O documento não inclui ainda os artigos contra a prisão de jornalistas em casos de defesa à liberdade de expressão. Tal proteção era exigida pelo conselho executivo do Sindicato de Jornalistas. O órgão decidiu retirar seus representantes da Assembleia Constituinte em meados de novembro depois que suas recomendações e sugestões foram ignoradas, segundo o site do jornal al-Ahram.
Os Estados Unidos pediram, no entanto, que a oposição no Egito se "manifeste pacificamente." "Há muita tensão no Cairo. Pedimos simplesmente aos manifestantes que expressem suas opiniões de maneira pacífica", declarou o porta-voz adjunto do Departamento de Estado, Mark Toner.
FONTE: http://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2012/12/04/em-meio-a-protestos-presidente-mursi-deixa-palacio-presidencial-no-egito.htm

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